Cartas da Guerra
Às primeiras imagens do trailer, inspirei fundo. O preto-e-branco dava a harmonia longínqua de um passado que não foi meu mas também me pertence. É talvez a obra de arte que recentemente mais de aproxima daquilo que sei que o meu avô viveu em Angola. Relembro as fotografias que vi em criança, pequenas e curiosas, paisagens infinitamente selvagens, com homens jovens de mais para o fardo que teriam que trazer às costas...
Acho que Ivo Ferreira o conseguiu. Conseguiu trazer a realidade de uma época que nós não sabemos bem onde ficou. Junto a ele, conseguiu a Margarida Vila-Nova e a sua voz maravilhosa, o Miguel Nunes, o Pedro Ferreira, o Tiago Aldeia, entre muitos outros cheios de talento. E conseguiu o António Lobo Antunes, com as palavras, os textos que deram impulso à voz-off.
O cinema português está a chegar a um estandarte que ainda não tinha chegado - o de convencer o próprio público português. Berlim já se rendeu, e eu espero que Portugal seja o próximo. Provavelmente, eu já estarei rendida ainda antes de entrar na sala de cinema. É que isto mexe muito... com a nossa história, memórias, e a nossa Vida.











