É um privilégio, Meryl!
Acordar com a imprensa mundial a falar no glorioso discurso que Meryl Streep tinha feito nos Globos de Ouro, logo no dia em que tinha decidido "re-arrancar" com os posts aqui no blog, foi a cereja no topo do bolo. O material que tinha preparado deu lugar ao texto inspirado por ela, que me surgiu na viagem de comboio.
Que mulher! Eu sempre admirei a Meryl, acho que desde as primeiras vezes que comecei a perceber de cinema e de representação. Uma das frases citadas, e com a qual me identifico fortemente, tem a ver com história que lançou sobre Tommy Lee Jones. Este disse-lhe algures que seria um "privilégio ser apenas actor". E é. Em algum momento da minha vida eu também me senti actriz e é de facto, um privilégio. Ouvir Meryl só dá mais força para continuar a lutar pelo que realmente amamos: seja algo que tenha ligação artística ou não.
Centrando-se no facto de Trump ter sido a figura eleita pelo povo americano para o lugar magistral de Presidente dos EUA, a actriz deu uma "lição" de moral, ética e sensibilidade humana perante a diferença e a importância do respeito entre seres. Também a minha veia de jurista se exalta aqui: defender a equidade, os direitos, as liberdades, as garantias. Algo que Trump já anuiu várias vezes não ter vontade de fazer.
No restante, o discurso fala por sim. Assim como toda a galeria que lhe faz eco: maravilhosos actores e pessoas, desde Viola Davis a Mel Gibson lá no fundo. É um gosto ver e rever este discurso, esteja ela com pouca ou muita voz: não é a falar alto, é a dizer o certo!
Deixo-vos o discurso e uma parte da transcrição deste (apenas o consegui em português do Brasil, desculpem-me. Se conseguirem em português de Portugal, deixem-me o Link)
P.S: O Chantily ao lado da cereja: Cristiano Ronaldo eleito o melhor jogador de futebol do mundo, outra vez!
"Obrigada, Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood. Só para citar o que o Hugh Laurie disse. Você e todos nós aqui pertencemos aos grupos mais desprezados da sociedade norte-americana atualmente, pensem nisso: Hollywood, estrangeiros e a imprensa. Mas quem somos? O que é Hollywood? Só um monte de gente de outros lugares. Eu nasci e cresci nas escolas públicas de Nova Jersey, Viola veio da Carolina do Sul, Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada pela mãe solteira no Brooklyn, Sarah Jessica Parker é uma das sete ou oito crianças de Ohio, Amy Adams nasceu em Vicenza, na Itália, e Natalie Portman nasceu em Jerusalém. Onde estão suas certidões de nascimento? Ruth Negga nasceu na Etiópia, foi criada na Irlanda e está aqui indicada pelo papel de uma jovem da Virginia. Ryan Gosling, como todas as pessoas boas, é canadense. E Dev Patel nasceu no Quênia, cresceu em Londres e está aqui indicado pelo papel de um indiano criado na Tasmânia. Então Hollywood está rastejando com os estrangeiros, e se mandarmos eles para fora, só assistiremos futebol e MMA, o que não é arte! (...) Quando eu vi isso, partiu meu coração, e eu ainda não consigo tirar isso da cabeça porque não aconteceu num filme, e sim na vida real. Esse instinto de humilhar, quando feito por alguém numa plataforma pública, afeta a vida de todo mundo, porque dá permissão para outros fazerem o mesmo. Desrespeito convida desrespeito, violência incita violência. Quando os poderosos usam de suas posições para praticar bullying contra os outros, todos nós perdemos.”
fonte: papelpop.com & Google











